sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nossa luta de cada dia...

Queridos amigos!

Hoje estava refletindo sobre a vida e cheguei a uma conclusão: todos nós, pessoas com bipolaridade, depressão, ou não, têm um desafio diário a enfrentar. Podem não ser diagnosticadas com problemas parecidos com os nossos, mas têm dificuldades que sequer possamos imaginar.

Muitas vezes vemos pessoas sorrindo e nem imaginamos quais são seus obstáculos.

Uma coisa é certa: na tristeza, todos somos iguais. Não há diferença na dor, todos sentimos, todos passamos por ela como um processo de aprendizado. Cabe a nós decidirmos o que faremos com essas circunstâncias que a vida nos coloca no caminho. Vamos aprender, crescer e melhorarmos como seres humanos? Ou vamos nos revoltar, parar no tempo e ficar dando murro em ponta de faca?

Essa semana, conheci uma poeta, ativista em prol das mulheres e das pessoas negras, que parece ter sido uma pessoa maravilhosa: ela se chama Maya Angelou. Uma de suas poesias mais famosas, cujo título traduzido para o português é "Ainda vou me levantar", tem um trecho que cabe muito para todos nós:

"Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar."
Eu sei que dói, eu sei que é difícil, estamos sempre por aqui dividindo nossas experiências e vamos sempre procurar nos superarmos. Um dia de cada vez, nos respeitando, nos amando e não esmorecendo.

Vamos nos levantar. Mesmo que seja aos pouquinhos, um passo de cada vez. Sem exigirmos demais de nós mesmos, nos dando nosso tempo, mas sempre para a frente.

Um abraço fraterno a todos.

Muito obrigada pela colaboração e compreensão de vocês.

Nunca esperei ter tanto retorno e tanto carinho...

segunda-feira, 31 de março de 2014

A cada um de vocês, amigos bipolares, muito obrigada!

Eu comecei esse blog com a intenção de aprender mais sobre a bipolaridade, já que, quando descobri que tinha e fui pesquisar, ou achei textos técnicos demais ou textos muito pessimistas.Não é nada fácil se deparar com uma novidade dessas. Então, decidi escrever sobre o assunto, falar sobre minhas experiências, sobre o que eu senti, enfim, trazer à tona o transtorno bipolar de forma mais humana. E foi aí que eu tive a grande surpresa: diversas e diversas pessoas relataram seus casos em comentários, apoiando, perguntando, respondendo...  Confesso que, cada relato, para mim, foi muito emocionante, uma grande ajuda. Vi que meus objetivos foram atingidos, com um monte de pessoas aprendendo e ajudando outras pessoas e surpreendendo. Tem sido muito melhor do que imaginei. Obrigada pela colaboração, coragem e sinceridade de cada um de vocês. Vamos continuar nos dando forças, vamos seguir em frente, sempre!
Um grande abraço fraterno em todos!

domingo, 16 de junho de 2013

Tudo aquilo que amamos...

Lendo os comentários de vocês, me veio uma inspiração. Eu sei, por vivência própria, que algo que nos fortalece e muito é nos aproximarmos de nossa essência. De repente isso pode soar um pouco estranho ou até clichê para alguns de vocês, mas acreditem: isso nos dá uma força tremenda! Nos aproximarmos da nossa essência é nos conhecermos bem; tanto o nosso pior, como o nosso melhor. Teve uma época que eu estava tão distante de mim, que eu não sabia nem o que eu realmente amava. E, para piorar, não fazia mais nada das pequenas, mas grandiosas atividades que nos dão prazer. Hoje eu invisto mais meu tempo para ler uns livros que gosto; estou tentando conhecer mais sobre o jazz; amo escrever; ler revistas sobre arte e, com o meu mestrado, descobri uma vocação acadêmica. E vocês, o que amam? Será que não arrumam um tempinho para realizar aquele hobby perdido no tempo? Quais são as suas vocações? O que os faz sorrir de verdade? Pensem nisso, é muito bom nos conhecermos de verdade.

Um grande beijo, uma excelente semana!

De volta!!!

Oi gente! Em primeiro lugar, peço desculpas pela longa ausência. Conforme escrevi em um post anterior, disse que iria me ausentar por conta do meu mestrado. Bom, não sei se vocês também são assim, mas eu acabei enrolando, enrolando e deixei tudo para a última hora. Um milhão de textos para escrever, elaborar e o prazo curtíssimo. mas a boa notícia é que eu fui aprovada, e com louvor! A lição é que não devemos desistir e não nos diminuirmos diante de nenhum desafio.

Estou vendo que tem um monte de comentários novos. Tentarei responder a todos. Só gostaria de lembrar que não sou nem médica e nem psicóloga, apenas uma pessoa com bipolaridade tentando mostrar o lado bom da vida, que ser portador deste transtorno não é o fim e nem nada parecido. Que devemos nos respeitar e nos tratar para levarmos uma vida perfeitamente comum, porque, como há muito disse Caetano Veloso: "De perto, ninguém é normal", seja ou não bipolar, ou qualquer outra coisa.

Todos aqui temos dificuldades e nossas diferenças. Só não vale ser pessimista!

Um grande beijo em todos!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma leve ausência: em breve, novidades

Queridos e queridas,

Estou um tempinho sem postar nada aqui. É que eu estou em fase de conclusão de um mestrado e estou quase pirando. É um sacrifício sem tamanho, mas que tem me trazido muita satisfação. Bom, como podem ver, é falta de tempo mesmo.

Porém, em breve, pretendo trazer algumas novidades. Uma delas é uma entrevista que pretendo fazer com meu psicólogo especialmente para este espaço, para que tenhamos uma palavra de um especialista sobre a bipolaridade.

Também pretendo publicar posts de convidados, pessoas que têm bipolaridade e que contam como estão superando ou vivendo com esse transtorno.

O que acham?

Se tiverem mais ideias, podem falar.

Um grande abraço!

terça-feira, 19 de março de 2013

O excesso excessivamente excessivo: a hipomania

Somos bipolares. Fato. E isso quer dizer que, além de todas as complexidades de um ser humano, temos dois pólos bem distintos um do outro: um lado depressivo e o outro excessivamente eufórico. E quando tive a revelação de ser bipolar, eu fiquei me preguntando: como distinguir a minha genuína alegria de uma fase hipomaníaca (aquele extremo da bipolaridade, o da euforia). E isso me angustiou durante um bom tempo.

Então eu comecei a me observar. E teve um dia que eu me senti feliz sem aquela euforia toda. E teve um outro dia que eu estava um pouco eufórica, mas tinha um bom motivo. Teve um outro que eu estava muito, muito alegre, falante, sem nenhum motivo aparente. E, um que eu estava como se tivesse ligada em alguma bateria, não conseguia parar de falar (algumas vezes em alto e bom som), fazer piadas e tudo isso no trabalho. É lógico que o último caso está ligado àquele extremo da bipolaridade.

Cada um se comporta de uma forma diferente. Às vezes do mesmo jeito, mas com nuances diversas, características de cada um de nós. Algumas pessoas, nesta fase, também podem desenvolver compulsões por compras, sexo, comidas, enfim, tudo aquilo que pode nos dar prazer. Além disso, há os tratos sociais, que tendem a ser exagerados e podem nos dar, no dia seguinte, aquela desagradável ressaca moral.

Enfim, além do tratamento com profissionais e o medicamento correto, não há como fugir: precisamos nos observar, nos conhecer melhor. Aí você poderá perceber o que está acontecendo e tomar as rédeas da sua vida. Escolher. Porque tomar decisões pode não ser fácil, mas a sensação de autonomia é muito melhor do que o medo de errar. E é melhor nós mesmos nos observarmos do que ficarmos à mercê do julgamento alheio, que varia de acordo com humores, personalidades e individualidades diferentes da nossa.

É difícil? É. Mas antes de nos sentirmos os patinhos feios do planeta Terra, é melhor raciocinarmos: quem não tem dificuldades neste mundo?

Além disso, além de tantas outras características, temos estes dois pólos, que podem nos conferir uma excentricidade, um jeito peculiar de ser, um estilo de vida mais criativo.

Quer dizer, a vida nos deu um limão. Podemos fazer uma limonada, alguns podem preferir fazer uma caipirinha e há quem tenha a vontade de esfregar o limão nos olhos da vida. Seja como for, não desanime e nem desista. Vamos nadar contra esta corrente só para exercitar e vamos aproveitar para ficarmos cada vez mais fortes.

Um grande abraço!

#hipomania #bipolaridade


Bipolaridade: um assunto muito sério

Em minhas pesquisas, li muitos relatos de pessoas com transtorno da bipolaridade que tinham vontade ou tinham tentado tirar a própria vida. Também vi em sites especializados que existe uma boa porcentagem de pessoas que realmente tentam e acabam cometendo o suicídio.

Isso é muito sério. Muito. Não podemos encarar este fato com crítica e nem com piedade, mas com muito respeito e como uma realidade.

Casso você, que esteja lendo este texto, tenha sentido essa vontade, não se entregue. Procure ajuda imediatamente e não leve adiante esta vontade.

Eu já estive no fundo do poço, já perdi todas as minhas esperanças e já me senti assim por longos períodos nesta minha jornada. E, por isso, eu digo, como portadora de bipolaridade, como uma pessoa que sente e sentiu na pele a dor da depressão, não tire de você a grande oportunidade de fazer diferente. Não tire de você a incrível sensação da superação.

Caso não tenha ninguém em sua família que possa lhe escutar, não deixe de procurar um atendimento especializado, seja psicólogo(a) ou psiquiatra. E se você não tiver condições de arcar com esta despesa, procure uma universidade pública. No Rio de Janeiro, a UFRJ e a UFF oferecem tratamento psicanalítico gratuito para a comunidade.



Tenho uma importante observação a fazer: como já sabem, não sou profissional de saúde e nem nada do tipo, mas gosto muito de pesquisar. E, em minhas pesquisas, vi muitas informações contraditórias entre um e outro e muitas delas me pareciam não ter muita credibilidade.

O que eu quero dizer é o seguinte: não se deixem abater por qualquer coisa que vocês virem na internet. Eu mesma, quando fui diagnosticada, fiquei arrasada quando busquei sobre a bipolaridade on-line, e foi por isso que resolvi escrever este blog. Desestímulo é a última coisa de que precisamos neste momento. 

Um  grande abraço e muita força!

#bipolaridade #depressão