terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Uma importante decisão



Uma das coisas que aprendi nas minhas sessões com meu psicólogo é que quando estamos bem conosco, nada de fora pode nos atingir a ponto de acabar com nosso dia ou humor. Lógico que há acontecimentos graves, como, por exemplo, a perda de um ente querido. Porém, precisamos não permitir que o mau humor do chefe ou alguma frustração com quem quer que seja abale a nossa estrutura. Quando estamos próximos de nós mesmos, centrados em nossos sonhos, canalizados em realizá-los, é mais difícil que alguém ou alguma situação corriqueira nos deixem tristes. E a decisão é nossa: vamos decidir ser felizes? Não é fácil, mas tudo começa com o primeiro passo. Vamos nos tratar, nos olharmos de forma mais generosa, enxergar o que temos de melhor e, com toda humildade, reconhecer o que temos de pior e tentarmos melhorar.

Que todos tenhamos uma excelente semana!
Queridos amigos!

Estive por um tempo ausente, a alguns comentários não pude responder. Além de estar muito ocupada, tive que parar com o tratamento por um tempo. Fiquei sem plano de saúde, por consequência, sem médico e até fechar um novo plano e achar um novo médico, fiquei sem tratamento. Esse período não foi legal, lhes digo. Esse período pude constatar que precisamos nos tratar mesmo. A força de vontade que possuímos, a nossa determinação não vencem os desequilíbrios químicos que acontecem em nosso organismo. Com a bipolaridade é difícil levar uma meta adiante. Aí vem o sentimento de frustração, incapacidade, decepção com a gente mesmo. Um ciclo vicioso que faz com que não acreditemos em nós mesmos. Não é verdade. Somos capazes sim! E precisamos do nosso medicamento para que nossa verdadeira personalidade se sobreponha à doença. Como eu disse anteriormente: precisamos de um tratamento, de medicamento como qualquer outra pessoa que tenha diabetes, pressão alta...

Ontem fui à minha primeira consulta com o novo psiquiatra e ele decidiu continuar meu tratamento com o Lamitor. Comprei ontem mesmo e comecei a tomar. No início acredito ser comum aparecerem alguns efeitos colaterais. Eu estou com dor de cabeça e bem irritada. Da última vez que me tratei foi a mesma coisa e depois passou.

Caso vocês estejam tomando algum remédio e os efeitos colaterais persistirem por muito tempo, acho bom questionar seus médicos, ok?

Vou tentar continuar com as postagens, espero que os ajude de alguma forma.

Um grande abraço fraterno a todos!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nossa luta de cada dia...

Queridos amigos!

Hoje estava refletindo sobre a vida e cheguei a uma conclusão: todos nós, pessoas com bipolaridade, depressão, ou não, têm um desafio diário a enfrentar. Podem não ser diagnosticadas com problemas parecidos com os nossos, mas têm dificuldades que sequer possamos imaginar.

Muitas vezes vemos pessoas sorrindo e nem imaginamos quais são seus obstáculos.

Uma coisa é certa: na tristeza, todos somos iguais. Não há diferença na dor, todos sentimos, todos passamos por ela como um processo de aprendizado. Cabe a nós decidirmos o que faremos com essas circunstâncias que a vida nos coloca no caminho. Vamos aprender, crescer e melhorarmos como seres humanos? Ou vamos nos revoltar, parar no tempo e ficar dando murro em ponta de faca?

Essa semana, conheci uma poeta, ativista em prol das mulheres e das pessoas negras, que parece ter sido uma pessoa maravilhosa: ela se chama Maya Angelou. Uma de suas poesias mais famosas, cujo título traduzido para o português é "Ainda vou me levantar", tem um trecho que cabe muito para todos nós:

"Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar."
Eu sei que dói, eu sei que é difícil, estamos sempre por aqui dividindo nossas experiências e vamos sempre procurar nos superarmos. Um dia de cada vez, nos respeitando, nos amando e não esmorecendo.

Vamos nos levantar. Mesmo que seja aos pouquinhos, um passo de cada vez. Sem exigirmos demais de nós mesmos, nos dando nosso tempo, mas sempre para a frente.

Um abraço fraterno a todos.

Muito obrigada pela colaboração e compreensão de vocês.

Nunca esperei ter tanto retorno e tanto carinho...

segunda-feira, 31 de março de 2014

A cada um de vocês, amigos bipolares, muito obrigada!

Eu comecei esse blog com a intenção de aprender mais sobre a bipolaridade, já que, quando descobri que tinha e fui pesquisar, ou achei textos técnicos demais ou textos muito pessimistas.Não é nada fácil se deparar com uma novidade dessas. Então, decidi escrever sobre o assunto, falar sobre minhas experiências, sobre o que eu senti, enfim, trazer à tona o transtorno bipolar de forma mais humana. E foi aí que eu tive a grande surpresa: diversas e diversas pessoas relataram seus casos em comentários, apoiando, perguntando, respondendo...  Confesso que, cada relato, para mim, foi muito emocionante, uma grande ajuda. Vi que meus objetivos foram atingidos, com um monte de pessoas aprendendo e ajudando outras pessoas e surpreendendo. Tem sido muito melhor do que imaginei. Obrigada pela colaboração, coragem e sinceridade de cada um de vocês. Vamos continuar nos dando forças, vamos seguir em frente, sempre!
Um grande abraço fraterno em todos!

domingo, 16 de junho de 2013

Tudo aquilo que amamos...

Lendo os comentários de vocês, me veio uma inspiração. Eu sei, por vivência própria, que algo que nos fortalece e muito é nos aproximarmos de nossa essência. De repente isso pode soar um pouco estranho ou até clichê para alguns de vocês, mas acreditem: isso nos dá uma força tremenda! Nos aproximarmos da nossa essência é nos conhecermos bem; tanto o nosso pior, como o nosso melhor. Teve uma época que eu estava tão distante de mim, que eu não sabia nem o que eu realmente amava. E, para piorar, não fazia mais nada das pequenas, mas grandiosas atividades que nos dão prazer. Hoje eu invisto mais meu tempo para ler uns livros que gosto; estou tentando conhecer mais sobre o jazz; amo escrever; ler revistas sobre arte e, com o meu mestrado, descobri uma vocação acadêmica. E vocês, o que amam? Será que não arrumam um tempinho para realizar aquele hobby perdido no tempo? Quais são as suas vocações? O que os faz sorrir de verdade? Pensem nisso, é muito bom nos conhecermos de verdade.

Um grande beijo, uma excelente semana!

De volta!!!

Oi gente! Em primeiro lugar, peço desculpas pela longa ausência. Conforme escrevi em um post anterior, disse que iria me ausentar por conta do meu mestrado. Bom, não sei se vocês também são assim, mas eu acabei enrolando, enrolando e deixei tudo para a última hora. Um milhão de textos para escrever, elaborar e o prazo curtíssimo. mas a boa notícia é que eu fui aprovada, e com louvor! A lição é que não devemos desistir e não nos diminuirmos diante de nenhum desafio.

Estou vendo que tem um monte de comentários novos. Tentarei responder a todos. Só gostaria de lembrar que não sou nem médica e nem psicóloga, apenas uma pessoa com bipolaridade tentando mostrar o lado bom da vida, que ser portador deste transtorno não é o fim e nem nada parecido. Que devemos nos respeitar e nos tratar para levarmos uma vida perfeitamente comum, porque, como há muito disse Caetano Veloso: "De perto, ninguém é normal", seja ou não bipolar, ou qualquer outra coisa.

Todos aqui temos dificuldades e nossas diferenças. Só não vale ser pessimista!

Um grande beijo em todos!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma leve ausência: em breve, novidades

Queridos e queridas,

Estou um tempinho sem postar nada aqui. É que eu estou em fase de conclusão de um mestrado e estou quase pirando. É um sacrifício sem tamanho, mas que tem me trazido muita satisfação. Bom, como podem ver, é falta de tempo mesmo.

Porém, em breve, pretendo trazer algumas novidades. Uma delas é uma entrevista que pretendo fazer com meu psicólogo especialmente para este espaço, para que tenhamos uma palavra de um especialista sobre a bipolaridade.

Também pretendo publicar posts de convidados, pessoas que têm bipolaridade e que contam como estão superando ou vivendo com esse transtorno.

O que acham?

Se tiverem mais ideias, podem falar.

Um grande abraço!

terça-feira, 19 de março de 2013

O excesso excessivamente excessivo: a hipomania

Somos bipolares. Fato. E isso quer dizer que, além de todas as complexidades de um ser humano, temos dois pólos bem distintos um do outro: um lado depressivo e o outro excessivamente eufórico. E quando tive a revelação de ser bipolar, eu fiquei me preguntando: como distinguir a minha genuína alegria de uma fase hipomaníaca (aquele extremo da bipolaridade, o da euforia). E isso me angustiou durante um bom tempo.

Então eu comecei a me observar. E teve um dia que eu me senti feliz sem aquela euforia toda. E teve um outro dia que eu estava um pouco eufórica, mas tinha um bom motivo. Teve um outro que eu estava muito, muito alegre, falante, sem nenhum motivo aparente. E, um que eu estava como se tivesse ligada em alguma bateria, não conseguia parar de falar (algumas vezes em alto e bom som), fazer piadas e tudo isso no trabalho. É lógico que o último caso está ligado àquele extremo da bipolaridade.

Cada um se comporta de uma forma diferente. Às vezes do mesmo jeito, mas com nuances diversas, características de cada um de nós. Algumas pessoas, nesta fase, também podem desenvolver compulsões por compras, sexo, comidas, enfim, tudo aquilo que pode nos dar prazer. Além disso, há os tratos sociais, que tendem a ser exagerados e podem nos dar, no dia seguinte, aquela desagradável ressaca moral.

Enfim, além do tratamento com profissionais e o medicamento correto, não há como fugir: precisamos nos observar, nos conhecer melhor. Aí você poderá perceber o que está acontecendo e tomar as rédeas da sua vida. Escolher. Porque tomar decisões pode não ser fácil, mas a sensação de autonomia é muito melhor do que o medo de errar. E é melhor nós mesmos nos observarmos do que ficarmos à mercê do julgamento alheio, que varia de acordo com humores, personalidades e individualidades diferentes da nossa.

É difícil? É. Mas antes de nos sentirmos os patinhos feios do planeta Terra, é melhor raciocinarmos: quem não tem dificuldades neste mundo?

Além disso, além de tantas outras características, temos estes dois pólos, que podem nos conferir uma excentricidade, um jeito peculiar de ser, um estilo de vida mais criativo.

Quer dizer, a vida nos deu um limão. Podemos fazer uma limonada, alguns podem preferir fazer uma caipirinha e há quem tenha a vontade de esfregar o limão nos olhos da vida. Seja como for, não desanime e nem desista. Vamos nadar contra esta corrente só para exercitar e vamos aproveitar para ficarmos cada vez mais fortes.

Um grande abraço!

#hipomania #bipolaridade


Bipolaridade: um assunto muito sério

Em minhas pesquisas, li muitos relatos de pessoas com transtorno da bipolaridade que tinham vontade ou tinham tentado tirar a própria vida. Também vi em sites especializados que existe uma boa porcentagem de pessoas que realmente tentam e acabam cometendo o suicídio.

Isso é muito sério. Muito. Não podemos encarar este fato com crítica e nem com piedade, mas com muito respeito e como uma realidade.

Casso você, que esteja lendo este texto, tenha sentido essa vontade, não se entregue. Procure ajuda imediatamente e não leve adiante esta vontade.

Eu já estive no fundo do poço, já perdi todas as minhas esperanças e já me senti assim por longos períodos nesta minha jornada. E, por isso, eu digo, como portadora de bipolaridade, como uma pessoa que sente e sentiu na pele a dor da depressão, não tire de você a grande oportunidade de fazer diferente. Não tire de você a incrível sensação da superação.

Caso não tenha ninguém em sua família que possa lhe escutar, não deixe de procurar um atendimento especializado, seja psicólogo(a) ou psiquiatra. E se você não tiver condições de arcar com esta despesa, procure uma universidade pública. No Rio de Janeiro, a UFRJ e a UFF oferecem tratamento psicanalítico gratuito para a comunidade.



Tenho uma importante observação a fazer: como já sabem, não sou profissional de saúde e nem nada do tipo, mas gosto muito de pesquisar. E, em minhas pesquisas, vi muitas informações contraditórias entre um e outro e muitas delas me pareciam não ter muita credibilidade.

O que eu quero dizer é o seguinte: não se deixem abater por qualquer coisa que vocês virem na internet. Eu mesma, quando fui diagnosticada, fiquei arrasada quando busquei sobre a bipolaridade on-line, e foi por isso que resolvi escrever este blog. Desestímulo é a última coisa de que precisamos neste momento. 

Um  grande abraço e muita força!

#bipolaridade #depressão                                                                                                                                                                                    


terça-feira, 12 de março de 2013

Eu, a psicanálise e o Lamitor: Prenúncio de uma vida feliz

Como contei aqui, no meio de 2012 recebi uma verdadeira bomba: descobri ser portadora do transtorno da bipolaridade. Esperneei, fiquei mal, me senti frustrada. Mas então a vida seguiu, como sempre segue, e eu também segui com a minha terapia e tomando o Lamitor, prescrito por minha psiquiatra, que eu visito uma vez por mês. Aos poucos, dose por dose, meio descrente, confesso, fui tomando o remédio e sentindo os efeitos benéficos progredirem. Não desisti, mesmo quando, algumas vezes, parecia que eu estava regredindo.

Então, 2013 chegou com tudo. Chegou com tudo porque eu estou muito melhor. Porque eu me esqueço que tenho bipolaridade. Porque minha vida tem seguido normal. E cabe agora só a mim ser feliz ou não. Continuo firme e forte na minha terapia e com meu medicamento.

Espero que estejam seguindo o mesmo caminho. 

Um grande abraço!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Outros tratamentos para a bipolaridade

Além dos remédios e do acompanhamento psiquiátrico e psicológico - todos são fundamentais - é possível, com atitudes simples, melhorarmos nosso quadro e nos mantermos estabilizados. Um ponto é a alimentação.  Li que ômega 3 faz muito bem aos portadores de bipolaridade e faz todo o sentido, afinal este suplemento também age beneficamente no cérebro, além de ajudar a diminuir altos níveis de colesterol.

Outra boa atitude é a prática de exercícios físicos. Além de queimar a energia excedente, também nos dá uma dose extra de serotonina, o hormônio de bem-estar, e contribui ainda para nossa autoestima, já que melhoramos a aparência e forma física.

Um ponto que eu considero extremamente importante e que me influencia muito é a música, que pode ajudar no momento em que precisamos nos recuperar de uma depressão, de nos reerguermos de volta para a vida. Pelo menos funciona assim comigo.

Preciso dizer que amo música, sou uma pessoa completamente eclética e aprecio a mais variada gama de estilos musicais - e não nutro preconceitos por nenhum ritmo.

Hoje estava ouvindo uma música da Nicki Minaj com a Rihanna, chamada Fly, que é muito linda e é feita para cantarmos, sentirmos e absorvermos (eu gosto do refrão)..

O refrão diz o seguinte:

I came to win, to fight, to conquer, to thrive,
I came to win, to survive, to prosper, to rise
To fly
To fly

Traduzindo, fica assim:

Eu vim para vencer, para lutar, para conquistar, para prosperar
Eu vim para vencer, para sobreviver, para prosperar, para subir
Para voar
Para voar

E é exatamente o que eu sinto. E ouvir essa música me faz sentir muito bem, com ânimo, com esperanças.
Além desta canção, há muitas outras. Sugiro selecionar todas que toquem seu coração de verdade para estes momentos especiais, ou até para o dia-a-dia, já que uma forcinha extra não faz mal a ninguém.

Também sugiro praticar o ato de amar. Acho, que mais do que nunca, precisamos nos olhar por dentro e nos reconhecermos, sem medo ou vergonha. Olhar o que temos de ruim, de feio, mas, principalmente o que temos de mais lindo e surpreendente. É essa parte boa de nós que irá comandar o restante, porque precisamos praticar o amor-próprio, nos amarmos muito e, desta forma, já cheios deste sentimento tão essencial, amarmos o restante. O amor merece ser praticado, porque, uma vez com amor, não conseguimos nunca mais viver sem ele. E quantas cores este sentimento traz para nossa vida, quantos novos sabores, sonhos, tanta perspectiva de novidades e possibilidades.

Isto tudo afasta a auto-piedade, a nossa pior inimiga. A auto-piedade chega de mansinho, encoberta no inconsciente e nos derruba mesmo. É ela que nos mantém no chão, presos à depressão.

Tudo o que foi descrito acima é uma forma de afastar a auto-piedade, mantê-la bem distante. É assim que conseguiremos tocar nossas vidas da forma mais natural e saudável possível.

Não é fácil, mas está londe de ser impossível. Pensem nisso.

sábado, 22 de setembro de 2012

Resolução

Ontem à noite, meu coração estava disparado e sentia um enorme e profundo vazio no peito. Tristeza, vontade de chorar sem motivo. Acho que faz parte da fase de adaptação ao medicamento, mas acredito ser mais um sintoma psicológico: não deixa de ser real, mas é produzido por mim mesma.

Esta semana também faltei ao trabalho um dia por isso. E não fui nenhum dia à academia. Acho que a atitude de se recolher é muito maléfica para quem tem bipolaridade, porque damos vazão à tristeza, à sensação incapacitante. Só quem tem bipolaridade, depressão, ou outros males afins, sabe como é ruim.

Eu pensei muito nisso ontem. E resolvi reagir. Mesmo que a minha dor pareça ser maior do que eu mesma (acreditem em mim, por mais que pareça, nossa dor nunca é maior que nós), mesmo que meu corpo pese, eu vou acordar cedo, sair de casa e vou à luta: estudar, fazer minhas atividades físicas, trabalhar. Mesmo que eu tenha passado a noite em claro, ou que tenha dormido apenas duas horas, eu vou seguir em frente.

É assim que devemos fazer. Devemos encarar como uma luta e podemos vencer. Somos como um viciado que está em abstinência das drogas; mas, no nosso caso, a abstinência é a depressão e a solução é seguir em frente.

Hoje estou muito melhor. E, se amanhã eu não estiver, vou continuar seguindo. Eu sei que haverá um dia, ou um momento que iremos parar, que não sairemos, que não faremos o que devemos fazer. Mesmo assim, não vamos desistir: a natureza não dá saltos. Tudo tem seu tempo e nós, como parte integrante deste mundo, também temos o nosso tempo. Cada um tem seu ritmo e devemos nos respeitar.

Vi muitos relatos pessimistas sobre a bipolaridade, isso me deixou triste, mas as coisas não precisam ser assim. Eu vou relatar aqui minha rotina, como me sinto e vou tentar, dia a dia, melhorar e me superar.

Beijos!

Medo de remédio

Fiz uma pesquisa sobre o Lamitor na internet e vi que é um dos medicamentos com menos efeitos colaterais. Como já estou tomando, posso garantir que é verdade. Achei um site muito legal que informa as principais características de cada remédio no tratamento da bipolaridade. O site é: www.bipolaridade.com.br

Pelo menos com uma semana meu peso não aumentou. Mas, o mais importante: com o controle no humor que o remédio tem, aos poucos me trazido, não sinto mais tanta necessidade de comer. A ansiedade melhorou e isso tem feito muito bem para mim.

Lamitor: minha medicação

O remédio prescrito para mim foi o Lamitor. Comecei com uma dose de 25 mg por dia e assim continuarei até semana que vem, quando a dose será dobrada: tomarei 50 mg. A dose precisa ser aumentada aos poucos porque o principal efeito colateral deste remédio é o rash cutâneo, umas manchas vermelhas que podem aparecer na pele e que coçam. A indicação é que, em qualquer sinal deste sintoma, a medicação deve ser suspensa e, mais importante, o psiquiatra deve ser avisado imediatamente.

Até agora nada apareceu em mim. Senti umas leves tonturas, mas passaram. Tenho, nesta primeira semana de medicamento, tido altos e baixos emocionais muito intensos, mas não sei se é devido à medicação. Meu psicólogo me explicou que quando descobrimos sermos portadores de males que não queríamos ter, inconscientemente tendemos a passar por três fases.

Primeiro é a negação. Não queremos aceitar que temos, no meu caso, a bipolaridade, não queremos acreditar, relutamos em  entender. Para mim, essa parte já passou. Acho que ainda tenho resquícios, leves, mas, passou.

Depois vem a irritação - obs: não sei se é nessa ordem, mas é mais ou menos assim. Não sou psicóloga e nem profissional de saúde, então, se tiverem alguma dúvida, é bom que se consultem com algum profissional, ok? - ficamos irritados, parece que estamos de mal com o mundo. A irritação é latente, no meu caso, e vem como algo que submerge de um lugar bem profundo.

A terceira é a depressão: ficamos mal, ficamos tristes, pra baixo. Mas, fazer o quê? The show must go on, sabe? A vida continua e isso, por incrível que pareça, pode ser o maior combustível de esperança e otimismo. Quer dizer que podemos melhorar, fazer diferente, mudar. Está em nossas mãos.

Pode ser um pouco mais difícil para um bipolar, sim. Mas, quem nesta vida não tem dificuldade? E dificuldades extras, como uma deficiência física ou alguma incapacidade mental?

Este é o momento de realmente nos olharmos nos espelho, aceitarmos nosso pior e tentarmos melhorá-lo e admirarmos nosso melhor. E, devidamente medicados e tratados, podemos fazer isso da forma mais consciente e sem ilusões. Afinal de contas, bem ou mal, chegamos até aqui e podemos fazer muito mais.

Pensem nisso. Também vou pensar. Eu também preciso e estou nesta luta!

Atualização: Estou tomando o Lamitor até hoje (12 de março de 20143) e já estou com 50mg pela manhã e 50mg à noite. Estou muito melhor, até me esqueço ser portadora do transtorno da bipolaridade. Não sinto nenhum efeito colateral; o remédio só me fez bem e minha vida segue normal. Destaco que é importante tomar o medicamento regularmente, vale a pena. Outro ponto: também faço terapia, acredito que isso seja muito importante, talvez fundamental para que possamos melhorar. Os sintomas de depressão são nulos em meu cotidiano. Consigo realizar minhas tarefas com mais regularidade e isso tem me deixado muito feliz. O remédio e a terapia são grandes aliados. Quem quiser compartilhar suas experiências, será bem-vindo. Um grande abraço, com todo meu carinho.


Meu mundo caiu...

O título é uma música da Maysa. Nada poderia ser mais dramático. Bom, é assim que sou. E foi isso que senti quando fui diagnosticada com transtorno bipolar do humor. "Poxa, já não bastam todos os problemas desta vida, ainda tenho que ser doente?", pensei. E mais, ter que tomar remédios ao longo da vida não me pareceu nada interessante. Fiquei mal, fiquei triste, me senti deprimida. Agora, neste momento, tem pouco mais de uma semana do diagnóstico e devidamente medicada, estou bem, razoável. Mas nestes dias tenho passado por altos e baixos emocionais. Não sei se é da medicação ou reação à notícia da doença. Aliás, já estou em terapia há um pouco mais de um ano, e digo que é fundamental e foi a minha base desde que descobri a bipolaridade. É isso. A vida continua e, digo, com toda a sinceridade, que a vida pode ser maravilhosa.